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	<title>Ana Medina Mesquita &#187; medo</title>
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		<title>GERAÇÃO SEM COISAS [in Portuguese Times, Junho 2016]</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2016 21:27:54 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Emigrei com oito malas no limite do excesso de peso, nelas tinha essenciais ao dia-a-dia que não queria voltar a comprar, mas sobretudo trazia nas entrelinhas (representadas neste texto por parêntesis), um absoluto essencial à alma: o candeeiro (que o meu amigo Luís fez), uma peça dos Templários (que uma cliente me deu), um suporte para fósforos (de pedra vulcânica dos Açores), um relógio (da feira de Natal de Nova Iorque), a lista enche as ditas oito malas. Muitos amigos disseram-me, que se calhar, saía mais barato comprar tudo de novo lá – mas onde, na Noruega, é que eu comprava o que veio nas entrelinhas dos objectos da minha mala…?</p>
<p>Já fora de Portugal, escolhi mobílias, às quais juntei os objectos que tinha trazido comigo. Assim, construí a minha casa com estes tijolos sentimentais, sem ponderar quanto tempo viveria nela. Mais tarde, apercebi-me que esta não tinha sido a estratégia dos outros emigrantes que lá encontrei. Quase todos tinham viajado só com roupa e produtos de higiene pessoal. Na Noruega optaram por casas mobiladas. Não era por terem menos possibilidades económicas nem tão pouco menos afectos – eram pragmáticos. Sabiam que emigrar é experimentar, que a qualquer momento poderiam mudar novamente de país e por isso grandes investimentos em “coisas” que não saberiam quanto tempo iriam usufruir não fazia sentido. Ambas as estratégias são válidas e têm os seus prós e contras.</p>
<p>Surgiu então a questão: o que é isso de experimentar? Qual o intervalo temporal que distingue “uma experiência” de “viver”? Nesta pergunta reside muitas vezes a armadilha emocional da emigração. O viver no “provisório”, à espera de sentir pertença numa nova cultura, de avaliar se a adaptação corre bem, se o emprego agrada e se se mantém, se a família também se adapta. Mas o calendário cronológico, mais impiedoso que as emoções, vai passando páginas e de repente estamos a falar de anos. Anos sem “coisas”.</p>
<p>As “coisas” e a sua importância não são fáceis de avaliar. Vivemos nesta sociedade de contraditórios entre o apelo ao consumismo e a moralidade do combate ao mesmo. Mas as “coisas” de que aqui falo são os objectos que vão fazendo parte da nossa história como um símbolo de identidade e memória. Quando vamos a casa de alguém, a decoração (mesmo a mais desinvestida) fala-nos da personalidade daquela pessoa. A decoração da casa faz com que o dono se sinta bem nela, sabemos o que nos faz falta, o que nos dá conforto e o que nos é agradável ver e ter por perto.</p>
<p>O acumular de coisas conta uma história, de personalidades, de escolhas, de momentos, de amigos, de família, de vida. É um bocadinho de nós que se materializa. Claro que temos dentro de nós o registo de tudo isso – é bom que tenhamos – mas quando desenraizamos do país, do círculo habitual de pessoas com quem convivemos, os objectos, a par dos postais e das cartas ganham a importância do suporte afectivo, a construção de uma nova realidade. Uma geração sem coisas é uma geração com mais dificuldade.</p>
<p>Às coisas que trazemos juntam-se pouco a pouco coisas que vamos adquirindo nesse novo país. Também aqui podemos ver no simbólico destas “coisas” outras coisas que vão dentro de nós: o medo de estar a acumular muitas coisas, como vendo aí um perigo de nunca mais regressar “à terra pátria”, de criar raízes num novo país. O gosto em ter mais coisas, que se confunde com a esperança que essas novas raízes se fortaleçam.</p>
<p>As “coisas” são então uma linguagem, uma linguagem de afectos que muitas vezes a geração emigrante se priva, sem perceber que deixa páginas da sua história para trás. No dia em que surge um novo membro da família, uma continuidade que pede o recontar consistente da história dos pais e da família geralmente renasce então esta consciência de que é preciso dentro da instabilidade criar uma casa também de “coisas” do passado. É então que vêm pelo correio, a um preço que só a emoção justifica, as colchas que a avó bordou, a pulseirinha de criança, as molduras antigas, e muitas vezes contentores inteiros com recheios de casas. Nessa altura já não se pensa quanto tempo ali ficamos, são tempos que curtos ou longos contêm neles nascimentos. Já se percebeu que a vida é sempre provisória, como cada linha das estórias que as coisas contam. Somos nós nessas coisas.</p>
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		<title>PEDIR AJUDA</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 08:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[APOIO PSICOLÓGICO]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Na vida vamos deparar-nos muitas vezes com paradoxos. Um deles é a necessidade de ajuda e a dificuldade em pedir essa mesma ajuda. Se precisamos de ajuda, se até sabemos onde a podemos encontrar, porque não corremos rapidamente, hoje, já, na sua direcção? Porque é que nos filmes de terror, sempre que há uma personagem [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Na vida vamos deparar-nos muitas vezes com paradoxos. Um deles é a necessidade de ajuda e a dificuldade em pedir essa mesma ajuda. Se precisamos de ajuda, se até sabemos onde a podemos encontrar, porque não corremos rapidamente, hoje, já, na sua direcção?</p>
<p>Porque é que nos filmes de terror, sempre que há uma personagem ameaçadora a entrar em casa, a vítima corre sempre para debaixo da cama, para um armário sem saída, em vez de correr para uma outra porta, ou janela (nas tradicionais casas de filmes americanas há geralmente meia-dúzia de janelas no rés-do-chão!), porque é que as personagens perante o terror nunca vão para fora e sim ficam dentro do espaço de terror, em locais onde sabemos que dali a dois minutos serão encontradas? Porque é que nos filmes em que há uma chantagem, nunca ninguém recorre às outras quatro possíveis personagens (geralmente bem colocadas na trama para serem capazes de resolver o assunto) para contar da chantagem e a questão resolver-se? Nos filmes sabemos bem porquê: para fazer adensar o argumento, para fazer “render o peixe”, porque senão o filme acabava ali! </p>
<p>Mas e na vida…? Porque é que na vida quando sentimos terror, medo, tristeza, nos fechamos no espaço em que esta existe, nesse mesmo armário ou debaixo da cama, em vez de procurar ajuda fora? Porque é que nos deixamos cair na chantagem que o nosso medo, a nossa culpabilidade ou a nossa tristeza faz connosco, em vez de procurar aliados contra ela? Porque é que deixamos esse argumento adensar, deixamos “render o peixe”, até o perigo ser tão maior?<br />
Porque é que não pomos um travão nesse terror, nesse medo, nessa tristeza enquanto ainda conseguimos? Porque é que pedir ajuda é tão difícil…?</p>
<p>Pedir ajuda é difícil porque exige de nós o reconhecimento do problema, e a noção de que sozinhos não somos suficiente. Pedir ajuda é difícil porque é depender de algo ou alguém que está fora de nós, e que por isso nos é desconhecido, não controlamos e nos dificulta por um lado confiar e por outro antever se vai resultar. Esses passos são particularmente difíceis quando estamos no meio de uma situação que nos está a deixar frágeis, vulneráveis. Altura essa que por definição activa todas as nossas protecções, como aqueles botões escondidos na parte de baixo dos bancos para quando entra um ladrão. </p>
<p>O momento da ajuda é um momento paradoxal, em que as nossas grades internas se montam todas para nos defender das ameaças externas e ao mesmo tempo é o momento em que precisamos comunicar com alguém do lado de lá dessas grades para que as grades já não sejam precisas. Por isso, se já sentiu ou sente dificuldade em pedir ajuda, esteja descansado. Como acaba de perceber, tem uma razão de ser e provavelmente já todos passámos por isso. Mas no nosso filme interno, do qual somos realizadores, podemos agora usar esta noção a nosso favor. Encontrar essa porta ou janela em direcção à casa do vizinho e deixar os ladrões para uma segunda fase de resolução, contar da chantagem e ter ajuda para diminuir os danos que o chantageador possa causar, ver, por entre o quadriculado das grades, onde está uma pessoa para nos dar a mão e saber aquilo pelo qual estamos a passar e ajudar a chegar um plano de resolução.</p>
<p>Mas há ainda, dentro desse medo do contexto externo o medo do olhar dos outros sobre nós. Que olhar tão poderoso é esse? Que olhar tão poderoso é esse ao ponto de parecer pior do que enfrentar o agressor que temos em casa ou o chantageador, ou a prisão que montamos dentro de nós? Será apenas uma questão de confiar no outro? Não. Esse olhar o que tem de tão poderoso não é mais do que o espelhar das nossas fragilidades… O mostrar o rosto do agressor, a voz do chantageador, a espessura das nossas grades. Isso é que nos assusta no olhar alheio. Na realidade não é o outro, aquele que nos vê, que se assusta com a nossa fragilidade. Somos nós. Somos nós que ao vermos as nossas fragilidades reflectidas no olhar alheio nos assustamos. Na realidade não é o outro, aquele que nos vê, que nos julga e nos censura, somos nós. O não sabermos como lidar com essas fragilidades, o medo de sucumbirmos a elas assusta-nos. Por isso não aguentamos essa partilha de fragilidades e nos fechamos nessas grades, numa concha. Mas o problema das conchas é serem um lugar solitário, por um lado, e com pouco espaço para a resolução por outro.</p>
<p>Mas há o minuto mágico. O minuto seguinte a termos feito tudo isto: a termos corrido e saído pela porta ou pela janela para casa do vizinho, a termos contado a quem confiamos que estamos a ser chantageados, a sussurrarmos a quem passa por entre as grades, a termos falado com um psicólogo. Nesse minuto, em que fizemos aquilo que parecia tão assustador, percebemos que estamos mais longe do agressor, que estamos menos vulneráveis ao chantagista, que estamos menos sozinhos dentro das grade, e que, afinal, o tal reflexo nos olhos do outro é pouco nítido, porque mais nítido é o olhar do outro, o seu olhar empático com o nosso sofrimento, o seu olhar compreensivo perante a nossa angústia, o seu olhar cúmplice na procura de uma solução. No minuto mágico renasce a esperança. </p>
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